Pôr do Sol

Há quase um mês, no dia em que meu avô faleceu, vi o pôr do sol mais bonito da minha vida. Na estrada, a caminho do meu último encontro com ele, o céu mudou de cor de uma maneira fantástica. Praticamente um degradê de todas as cores, colorido, brilhante, marcante. Assim como sua vida tinha sido. Poético, já que aquele dia findava – da mesma forma que sua vida umas poucas horas antes. Então comecei a pensar e fazer uma comparação do dia com a nossa vida: o amanhecer, o pôr do sol, o anoitecer. Todos representam etapas do dia e da nossa vida. Amanhecemos para uma nova vida quando nascemos e anoitecemos para ela quando morremos.

Vendo aquela cena, gostaria que ele estivesse vendo. Então, junto com a tristeza, me veio um sentimento bom. Que sim, ele também estava vendo aquele lindo espetáculo: com seu corpo glorioso, já no céu, ele estava vendo o mesmo pôr do sol que eu, só que espelhado. E da mesma forma que eu olhei e lembrei dele, ele estava lá, olhando e lembrando de todos nós que ficamos. Alguns dias depois, um amigo postou no Face uma frase que achei fantástica e que traduzia exatamente o que eu queria com este texto – segundo ele, aprendida no Exército Brasileiro: “O pôr do sol marca apenas o início de uma nova jornada”.

Ilusões

Às vezes eu passo muito tempo nas redes sociais. E isso, na verdade, não é bom. Não só por empregar tempo e energia em algo que não é produtivo, e que pouco me acrescenta, mas, pela frustração. Há perfis e mais perfis, principalmente no instagram, que mostram a vida dos sonhos: em um, trocentas viagens ao redor do mundo para os mais diversos lugares (sempre lindos e mesmo que você já tenha estado lá, as fotos sempre mostram um ângulo que deixam tudo muito melhor e mais bonito). Em outro, corpos perfeitos, fotos sempre profissionais de barrigas chapadas, pernas torneadas, pratos saudáveis… e assim por diante. O lifestyle das redes sociais é muito injusto e exigente. Faz com que nos sintamos menos.

Esses perfis me fazem valorizar as viagens que não fiz,  o corpo que não tenho e tudo aquilo que eu “ainda tenho que fazer” ao invés de investir energia na minha própria vida, que, aliás, é maravilhosa e acima de todas as minhas expectativas. Posso não ter ido pra Indonésia, que parece ser um novo point da galera, mas só este ano já zanzei bastante por ai, seguindo meus sonhos e minhas possibilidades. Posso não ter o corpo mega malhado, mas hoje acordei cedo e fui nadar. Ontem, escolhi não tomar Coca-cola: minhas pequenas vitórias de vida saudável. Sinceramente, elas valem muito para mim, mesmo que não rendam uma curtida no Facebook.

Mas, eles são irreais. Como diz meu marido, aquela pessoa tem aquele corpo por que ela vive disso. Aquela pessoa do blog de viagens também. Ou você conhece alguém próximo que não seja assim? Todos temos nossos compromissos, trabalho, vida social, amigos, dias de preguiça…quando eu treinava loucamente para entrar no CFO, tive o corpo mais forte da vida: mas não comia nada fora da dieta, não saia com amigos e treinava em todo meu tempo livre: tempo que aguentei assim? Dois meses! Aliás, esta questão de curtidas também é perigosa: pode fazer com que valorizemos aquilo que os outros “gostam, curtem, reagem” e que não necessariamente é como nos sentimos – ou até mesmo pode fazer com que nos sintamos menos valorizados por causa da reação dos outros. Assim, é necessário que reflitamos sobre aquilo que é importante para nós mesmos, que valorizemos aquilo que nos faz feliz, estes pequenos (ou grandes) momentos que nos fazem sentir realizados. E que vivamos mais os momentos reais e menos os virtuais, afinal, a vida não é ideal, ela é real.

 

Responsabilidades

Quando queremos muito alguma coisa, isso gera uma responsabilidade. Por exemplo, vemos aquelas meninas maravilhosas no instagram, com corpos lindos e malhados e pensamos “quero ficar igual”. Mas ai, para isso, tem que acordar cedo, malhar muito, comer pouco, dormir bem, não beber na balada, não ir na balada e focar a vida toda nisso. Ou eu quero prestar um concurso para ter um salário milionário ou para ter a carreira dos sonhos: preciso estudar muito, organizar meus dias e horários, me matricular em um cursinho, abrir mão de períodos de folga e de netflix para isso.

Mas ai, dá muito trabalho, precisa muita responsabilidade. Então concluímos que nem queríamos tanto, já que, o esforço que teremos que empregar é muito maior do que a nossa vontade real de ter aquilo. Sei que precisarei de bastante esforço, que os resultados não aparecem do nada. Claro que, quando estamos focados e decididos, os empecilhos não são obstáculos tão grandes. Porém, muitas pessoas não admitem o quanto querem algo pelo medo de falhar, pelo medo da cobrança alheia (ah, mas se queria tanto deveria ter estudado mais, comido menos, guardado mais dinheiro, se esforçado mais)

E quando contamos para alguém, gera mais responsabilidade. Por que nós somos os fiscais da vida alheia. Isso é natural. E ainda temos o péssimo hábito de dizer “se eu fosse o fulano, eu faria diferente”. Mas, cada um tem suas metas, seu tempo e seu estilo de conquista.  Não devemos julgar o que faríamos no lugar do outro por que não sabemos qual foi a trajetória dele até ali. Mesmo que conheçamos a pessoa desde sempre, não vivenciamos seus medos, não sabemos quais são os pensamentos que borbulham em sua mente. Podemos até imaginar, mas sentir por ela, impossível. Desta forma, quando alguém quiser compartilhar sonhos, vontades e metas, incentive. Acompanhe gentilmente, mas não cobre. Não julgue. O peso das responsabilidades e cobranças já é grande e não é necessário sobrecarregar ninguém.

(im) produtividade

Detesto este sentimento de improdutividade. Um pouco é a minha mania de querer fazer tudo, abraçar o mundo. Um pouco é do humor do dia. Tem aqueles dias que parecem que não foram feitos pra trabalhar, que o ritmo em que você está não é o mesmo em que o mundo está. E tudo parece lento. Até existe a concentração, mas tudo tem que ser devagar, com calma. Em que cada vez que o telefone toca, além de levar um susto, penso “tomara que não seja pra mim”. Mas às vezes é. E não tem jeito. Tenho que me sacudir e sair do slow mood. Ai chego ao fim do expediente com a sensação de que não fiz nada, o que, na verdade, é um engano. Fiz sim, até bastante coisa: só não em um ritmo tão frenético quanto o normal.

Às vezes é bom desacelerar e perceber que a vida não precisa ser tão corrida. E às vezes é frustrante não ter o dia perfeito no trabalho. E na vida… Pois, claro, tenho uma ideia do que é o dia perfeito: levantar cedo, fazer alguma atividade física, organizar a casa, zerar as pendências, e assim por diante. Faço, basicamente, o que me proponho a fazer na minha rotina. Mas o mais legal da vida é ter dias diferentes: aquele dia em que durmo até mais tarde ou vou passear no comércio ou até, me permito ler um livro ao invés de ir correr. O que eu tenho que ter em mente, na verdade, é que a vida não é uma lista de tarefas a serem cumpridas. A vida é composta destas escolhas singulares que fazemos. São estas “fugas” do devo para o que eu quero. São as pequenas surpresas escondidas na próxima esquina. E, entre dias mega produtivos e os nem tanto, a vida se torna este mosaico de sentimentos, sensações e escolhas.

Trem-bala

Ouvi na rádio, há alguns dias e pela primeira vez, a música trem-bala, da Ana Vilela. Gostei de cara da música e achei a letra bastante profunda. E sempre algum trecho me marcava. Quando conheci a letra toda, fiquei admirada. Em geral compartilho só textos da minha autoria por aqui, mas, este vale a pena:

(Para ler ouvindo)

Não é sobre ter todas as pessoas do mundo pra si
É sobre saber que em algum lugar, alguém zela por ti
É sobre cantar e poder escutar mais do que a própria voz
É sobre dançar na chuva de vida que cai sobre nós

É saber se sentir infinito
Num universo tão vasto e bonito, é saber sonhar
Então fazer valer a pena
Cada verso daquele poema sobre acreditar

Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu
É sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu
É sobre ser abrigo e também ter morada em outros corações
E assim ter amigos contigo em todas as situações

A gente não pode ter tudo
Qual seria a graça do mundo se fosse assim?
Por isso eu prefiro sorrisos
E os presentes que a vida trouxe para perto de mim

Não é sobre tudo que o seu dinheiro é capaz de comprar
E sim sobre cada momento, sorriso a se compartilhar
Também não é sobre correr contra o tempo pra ter sempre mais
Porque quando menos se espera, a vida já ficou pra trás

Segura teu filho no colo
Sorria e abraça os teus pais enquanto estão aqui
Que a vida é trem bala, parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir

Fotos de casamento

Pegamos o álbum de casamento estes dias! Sentimos uma alegria muito grande revendo as fotos e lembrando do dia. Todos aqueles sorrisos, momentos, vivências. Reunir nossos amigos, contar histórias. No dia seguinte do casamento fizemos um “trash the dress”, o que exigiu um pouco de sacrifício de acordarmos cedo e irmos até a Praia da Armação. Mas tínhamos em mente que as fotos ficariam maravilhosas e valeria muito a pena, já que poderíamos dormir bastante em outras oportunidades.

Uma das coisas que temos em mente é que o casamento é para sempre; então poderemos ver e rever aqueles álbuns por muito tempo ainda. Fico pensando nas pessoas que se separam… deve ser muito triste olhar para as fotos e ver que aqueles planos acabaram, que sua vida não será mais com aquela pessoa, que todas aquelas boas intenções passaram; claro que estou falando dos casos de pessoas que se dão bem mas que terminam “por que o amor acabou” ou “por que não estão mais apaixonadas”.

Tenho algumas amigas que se separaram e me deixaram muito triste. Hoje as vejo com outras pessoas, aparentemente felizes. Mas imagino que a ausência da outra pessoa irá ficar para sempre. Você foi casado, conviveu muito próximo por algum tempo, teve planos, realizou sonhos…  podemos até jogar as fotos fora, mas tudo que vivemos é impossível de ser apagado. No final de semana mostramos para alguns amigos que foram ao casamento e pudemos relembrar aquele dia tão especial; e hoje, revendo junto com meu marido, sentimo-nos plenos e realizados. E nestes pouco mais de seis meses de casados não poderíamos estar mais felizes.

Desafios

Me empolguei, recentemente, em voltar a correr: passei um período com o joelho machucado e a preguiça falando alto. Então, na última semana, entrei numa empolgação master e consegui correr quase todos os dias. Isso foi bom por que, cada vez que eu ia, se tornava mais fácil; sentia o sangue pulsando e mesmo que estivesse mega frio, em breve eu estava quentinha e feliz. Então ontem, o tempo tava meio chuvoso. Quando deu um trégua eu fui. A meta era correr 6 voltas na praça. Lá pela quinta volta, começou a chover de novo. Ai me lembrei de todas as vezes que fomos correr no CFO, com chuva, com sol, com frio, com calor… com todas as situações adversas.

E eu comecei a refletir em todos os desafios e medos que tive que superar para chegar onde estou agora. Posso garantir que não foi fácil, mas que em todos os momentos eu lutei com garra. “Só estando nesta carcaça para saber” todas as vezes que dormi menos do que queria, que treinei mais do que eu queria, que comi o que eu deveria, que deixei de sair com amigos, que deixei de ficar com a minha família.

Lembro-me daquele período de preparação para o concurso do CFO. Todos os meus dias eram planejados com base nos estudos. Depois, com base nos treinos para o Teste de Aptidão Física. Tudo era extremamente regrado pois eu tinha uma meta, um sonho. E nenhum sacrifício é grande demais ou pesado demais para alcançarmos nossos sonhos. E eu tinha, que nem diz o Rocky Balboa, o ‘eye of tiger’. Aquela garra, aquela força, aquela certeza da vitória. Sem essa força interna, o desafio seria bem maior.

Entrar para os bombeiros exige sacrifícios. E não é por que me formei que o sacrifício acabou. A profissão continua exigindo prontidão, preparo físico, abrir mão de certos confortos. Mas eu amo muito tudo isso. E não tem nenhum outro lugar em que eu gostaria de estar. Abrir mão, ser desafiado, ter brilho nos olhos, isso só é parte de quem eu sou.

 

Marcas de infância

Sempre que lembramos da infância, tem alguns fatos que surgem prontamente em nossas mentes. Lembro-me muito dos treinos de judô de sábado à tarde (como eu gostava daquilo!), das brincadeiras na piscina da casa da minha amiguinha. Lembro-me também de subir em árvores, ficar pendurada nos brinquedos. Quando me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse eu dividia minhas respostas entre “Estilista” e “Ter uma fazenda e plantar abóbora para vender na feira”. Aos 4 e 5 anos saia com a nossa cachorrinha para “fazer aventura”, que consistia em andar por todos os terrenos baldios do condomínio.

A minha primeira Barbie, aos 4 anos, ganhei de um tio muito querido. Eu não tinha muitos brinquedos: a maioria era herdado dos meus irmãos. Tinha uma amiga que tinha vários brinquedos legais: ela tinha uma boneca cujo vestido tinha pecinhas plásticas que brilhavam. As peças eram coladas no vestido com velcro. Claro que tínhamos ideias criativas e jogávamos as pecinhas na piscina para achar depois e duvido que tenhamos achado todas. Eu tinha um quebra-cabeças que ganhei no meu aniversário de 6 anos. Ele tinha 120 peças e uma imagem do Aladdin com a Jasmine. Montei até decorar aquele quebra-cabeças. Também saia para andar de roller, mas nunca fui boa nisso e sempre voltava sem as tampas do joelho. Nada que envolva rodinhas me atrai muito, até hoje. Passamos um bom tempo sem tv em casa e meu programa de tv favorito era Castelo Rá-tim-bum. Mesmo que eu já tivesse assistido a todos os episódios, não me cansava de ver as reprises.

Sempre recordo com muito carinho dos campeonatos de judô, dos quais participei muito assiduamente até os 14 anos. Aquele clima de luta, diversão, medalhas, era demais. E em todos, tradicionalmente, tirava uma foto com meu professor. Ao longo dos anos foi possível acompanhar meu crescimento. Hoje, aos recém feitos 29, sempre penso na infância que eu tive e em como ela moldou quem eu sou hoje. Como as vivências diárias formam nossas impressões de mundo, desejos e sonhos. E como aquela pequena aventureira se tornou hoje uma oficial de bombeiro otimista. Não sei qual foi a fórmula, mas sei que estou mega satisfeita com o resultado.

 

Amigas <3

Amigas são sinônimo de diversão e festa. Não necessariamente balada, mas festa; é sempre um evento quanto reunimos todas. Mesmo que seja para ficar em casa fofocando e ouvindo música, já virou memorável; é aquele momento em que todas falam juntas, riem das lembranças e ficam chocadas com as novidades. “Você viu que…?”, “Você lembra que..?”, “Não acredito!”

É um momento de se abrir, sem julgamentos; em que temos certeza de que somos transparentes e completamente compreendidas. Em que não há vergonha, timidez ou papas na língua. Em que nós somos quem somos e nos sentimos aceitas. E que, mesmo sendo completamente diferentes, somos um grupo coeso e unido. E que a saudade bate, já que cada uma tem sua vida, seus horários, seus sonhos. Mas que aquele momento em que estamos juntas é único e sempre motiva para o próximo. Que estes encontros, mesmo que não tão frequentes quanto gostaríamos, são suficientes para serem uma pausa na vida sem elas.

Sobre a Phoebe

Sim, eu tenho assistido muito ao seriado Friends como já disse neste post aqui. Uma das minhas personagens favoritas é a Phoebe. Por que ela é muito autêntica. Ela vive num mundo a parte e seus comentários são sempre os melhores. O mais legal dela é que ela não se importa com o que os outros acham ou vão pensar a respeito dela. E mesmo que eu tente juntar todos as histórias de vida pregressa dela, eles não se encaixam. Ou por datas ou por características. Mas acho que este mistério todo é que a torna mais interessante.

E as atitudes dela são demais:

  1. Ela é péssima como cantora, mas, consegue exprimir todos seus sentimentos por meio da música.
  2. Flores não são um bom presente para ela por que, quando morrem, ela fica triste e faz velório.
  3. Ela se veste de um jeito completamente diferente. Mistura peças, parece que só faz compras em brechós, usa peças feitas a mão (tricô, crochê).
  4. Quando ela foi correr no parque, não se importou de correr estranho pois as pessoas só a veriam por alguns segundos.
  5. Ela aceitou ser mãe de aluguel para os sobrinhos. E o humor dela grávida era imprevisível. Acredito que muitas grávidas devam ter se identificado com ela!
  6. Ela é uma mistura de inocente, distraída e esquizofrênica e nunca sabe o que se passa ao seu redor. Seus pensamentos devem ser bem mais divertidos do que as conversas chatas do mundo.
  7. Sempre que fala da vida pregressa, é algo punk: suicídio, morar na rua… mas ela encara isso com otimismo e não se deixa abalar, sempre falando como se não fosse nada demais.
  8. Ela tem uma gêmea malvada e ela continua tentando ser legal e amiga da irmã.

Seria divertido encarar as coisas da forma como ela faz. Torna o mundo mais leve. Faz com que esqueçamos que há pessoas ruins e que tudo sempre pode melhorar. E ai, smelly cat não é a melhor canção do mundo?