Vivências

Hoje eu fui colher uvas. Gostei muito do passeio. Percebi que eu tenho esta vontade/necessidade de fazer coisas diferentes. Pode ser visitar uma cidade nova, comer em um lugar que eu nunca fui, ler um livro novo, assistir a um filme que me recomendaram. Tenho sede de aprender e de viver. Não gosto da sensação de estar parada, entediada. Mas sei também que o tempo é um recurso escasso e finito. Desta forma, sei que há mais coisas no mundo para conhecer e fazer do que eu jamais vou conseguir. Isso já me entristeceu, mas aprendi a aproveitar aquilo que pode ser feito e não lamentar pelo que não pode/ não deu ainda/não vai rolar nunca.

A sabedoria da infância já dizia isso, na música de abertura do filme O Rei Leão: “Desde o dia em que ao mundo chegamos/caminhamos ao rumo do sol. Há mais coisas pra ver/mais que a imaginação/muito mais que o tempo permitir/e são tantos caminhos para seguir/e lugares para se descobrir”. Em inglês transmite melhor o meu sentimento: “there’s more to be seen that can ever be seen/more to do that can ever be done”

Tenho vários livros por ler, mas preciso fazer uma coisa de cada vez. Quero passear em várias cidades, mas as oportunidades aparecem. Por exemplo, sempre quis ir na festa pomerana. Já tinha desistido de ir (pelo menos neste ano) quando uma oportunidade surgiu e eu aproveitei. Não me afobei para isso. E como surgem as minhas listas? Sempre aparece algo durante conversas, fotos, uma notícia, num filme ou numa livraria. É só estar atento que as ideias surgem. É assim também que surgem as ideias para textos. O mundo é rico, basta ter o olhar certo para captar e traduzir em palavras.

Esforço

As coisas exigem esforço. Por exemplo, pra aprender crochê, tenho dedicado algumas horas e esfolado meu dedo. Para aprender a cozinhar, já tive várias experiências negativas (queimaduras, excesso de sal, corte no dedo, pilhas de louça pra lavar, entre outros). Para chegar a um bom tempo na natação, preciso nadar, nadar, nadar; para correr bem, não posso ir simplesmente quando estou a fim, devo encarar dias de frio, de sol, de chuva, vencer a preguiça… para ser aprovada na pós graduação deste semestre, tive que estudar de manhã, à noite, no tempo livre, abri mão de maratonas de netflix, etc.

Então, tudo isso só me fez perceber que nada vem de graça. Qualquer coisa necessita dedicação e empenho. Algumas coisas mais empenho que outras, mas todas precisam de certa atenção para acontecerem. E talvez seja por isso que as pessoas desistem no caminho e acabam começando várias coisas e não terminando nenhuma. Por que elas começam algo e veem que, para conseguir algum resultado, terão que sair da zona de conforto. E nem sempre isso é fácil. Mas, podemos sim conseguir bons resultados sem enlouquecer. Basta que a cobrança seja proporcional e que sejam estabelecidas prioridades.

Como disse no último post, não estabeleci metas para este ano, porém, isso não quer dizer que ficarei flanando por aí. O foco será em realizar coisas e me cobrar menos a respeito delas. Se eu não corri todos os dias da semana, ficarei feliz pelas vezes que fui. Se meu unicórnio de crochê não ficou estonteante na 1ª vez, vou tentar de novo, sabendo que, com a experiência adquirida, o próximo ficará bem mais bonito. E se aquela receita de biscoito que fiz não ficou grandes coisas e pode melhorar, eu não vou desistir até ela dar certo e eu poder comer todos eles =). O foco será em ficar feliz pelas coisas e não carregá-las com sentimento de cobrança. E isso faz a vida ficar bem mais leve.

 

Balanço

Eu já deixei de querer ser a mulher maravilha e dar conta de tudo né? Mas, colocando na balança o ano de 2017, ele até que foi bastante produtivo! Se focar no que fiz e não no que deixei de fazer, até que tenho uma lista boa! Aprendi a cozinhar (algumas coisas, sem me tornar master chef), comecei uma pós graduação, o que foi bom já que queria voltar a estudar, segui uma rotina (meio flexível) de treinos,  viajei bastante (não tanto quanto eu gostaria, mas conheci vários lugares novos), realizei várias coisas no trabalho, e assim por diante.

Se eu focar em tudo que eu queria fazer e não fiz, isso pode ser um pouco deprimente. Então, desta vez, vou ficar feliz pelo que realizei e começar novos planos para 2018. E para ano que vem não vou me cobrar tanto: quero treinar, ler livros, passear, mas não vou colocar metas. Sem essa de X livros, ou treinos todos os dias, ou só vou comer alfafa e batata-doce, ou vou viajar todos os fins de semana para todos os lugares do mundo. Minhas metas serão ser feliz, aproveitar os momentos, prestar atenção nas pessoas, fazer coisas novas. Viver.

Isso por que a vida precisa ser leve. Estes dias assisti a uma propaganda que o cara dizia “que este ano que passou teve apenas 67 dias” e ele citava apenas os dias que aproveitou com a família ou viveu de verdade, com experiências marcantes. Achei bem interessante. Será que conseguiríamos listar quantos dias teve nosso último ano? Ou foi mais um ano que passou e que termina sem nem que nem por quê? O comercial termina desejando que o próximo ano tenha pelo menos 200 dias. Eu desejo que meu próximo ano tenha 365 dias. E que todos os dias eu possa fazer algo que me deixe feliz.

 

Desafios

Faz uns dias, resolvi aprender a fazer crochê. Por quê crochê? Tenho visto uns bichinhos fazendo sucesso na internet. E eu pensei “eu gostaria de aprender a fazer estes bichos para dar de presente”. Isso por que acho que presentes feitos têm muito mais significado do que comprados. Descobri que o nome do tal do bicho é Amigurumi e que, obviamente, vai dar trabalho.Mas, já aprendi meu primeiro ponto de crochê e tô treinando por aí.

E o mais legal de tudo é que prender a fazer crochê me deu a sensação de que eu posso aprender a fazer qualquer coisa e que o céu é o limite para minha criatividade. E isso me deu uma sensação muito boa. Partiu costurar? Sim! Cozinhar? Claro! Bordar? Por quê não? E que quase tudo pode ser feito ao invés de comprado. Para os presentes de Natal, até eu me surpreendi com a minha ideia (não conto por que é surpresa! Quem sabe depois? =).

E sabe o que eu fiquei pensando? Sempre que vou dar um presente, escrevo um texto junto. Às vezes, o texto é mais importante do que o presente em si. Por que eu gosto de expressar como me sinto por meio de palavras (se comparado ao crochê, não é tão diferente, já que, cada ponto e ideia, ao final, tornam um trabalho único e especial). E, a partir de agora,  além do mundo das palavras, a princesa de allstar vai se aventurar em outras áreas <3

Listas

Eu estou muito ansiosa para viajar. Mas isso é bobo. Tem milhares de lugares no mundo para conhecer. E se prestarmos atenção, todos os destinos são interessantes por algum motivo: uns pela natureza, outros pela tecnologia. Às vezes, um passeio inesperado rende mais boas lembranças do que uma viagem que custou caro. E além de viajar, ainda tem todas as coisas que quero fazer: as séries que não assisti, os filmes recomendados, os livros para ler.

Mas por que tudo isso mesmo? Tem livros que não vou ler nunca, por que não me interessam, não despertam a minha curiosidade. Então por que este apego pelas coisas que NÃO fiz ou NÃO assisti? E se ao invés de cada vez que eu pensar: “um dia eu vou” e tornar uma cobrança, por que eu simplesmente não posso achar legal e pronto? Coloco no mesmo patamar ir à vinícola perto de casa e ir para Las Vegas. E são coisas totalmente diferentes. E eu nem gosto de vinho. Mas só por que alguém disse que é legal, ou convidou (que foi o caso), eu também quero.

Ai eu penso que não estou fazendo nada. E vou ao extremo de querer fazer tudo. E para quê? Todos os dias vivo experiências muito legais. Por que algumas valem mais do que outras? Claro que eu posso focar em cumprir todas estas listas (filmes, livros, viagens, passeios), ou eu posso acalmar e fazer as coisas quando der. Se um dia rolar, ótimo. Se não, provavelmente os lugares que visitei, os livros que li e os filmes a que assisti também valeram muito, mesmo sem estarem na lista. É a vida que acontece quando não planejamos, as lembranças que formamos sem querer. E são estes pequenos retalhos de vivências que formam o desenho da nossa vida.

Quilo de sal

Em uma palestra ouvi que um casal só se conhece bem o suficiente depois de comer um quilo de sal juntos. E eu fiquei pensando nisso nos últimos dias. Um ano de casados recém completos, eu e meu marido estamos terminando nosso primeiro quilo de sal desde que casamos. Isso significa que passamos muitos dias juntos, que cozinhamos juntos, que construímos experiências juntos. Eu percebo que o conheço bem mais do que conhecia há um ano atrás. Sei o que o irrita, o que o deixa feliz.

Reconheço seus humores e trejeitos. Conheço nossos ritmos de sono, sei dos seus interesses, e principalmente, aprendi que as pessoas só se conhecem depois de executar algumas tarefas juntas, ver como encaixar o jeito de cada uma e chegar a um novo estilo que sirva para os dois: nossos jeitos de organizar, faxinar, cozinhar, lavar roupas (inclua aqui qualquer atividade de rotina de uma casa) é diferente. Depois que se chega a este denominador comum, é que, verdadeiramente, se faz algo junto com o outro.

E não teria como não ser: fomos criados em cidades diferentes, com pais diferentes, com percepções de mundo diferentes. Se mesmo irmãos têm estilos diversos, quem dirá alguém de outra família. Claro que não o conheço totalmente, e talvez nem chegue a conhecer um dia, mas, após nosso primeiro quilo de sal, já nos conhecemos bem o suficiente para uma rotina harmoniosa e feliz, além de forte e coesa para os próximos quilos de sal de comeremos juntos.

Mudanças

Eu decidi que iria acordar cedo e com isso, parece que ganhei muitas horas a mais nesta semana. Fui pra academia, tive mais tempo (arrumei armários, lavamos cobertores…) Fiz aquelas coisas que há muito tempo queria fazer e não dava tempo. Parece que foi mais tranquilo, sem correria de manhã e sem stress para deixar tudo pronto.

Consequentemente fomos dormir mais cedo os dias renderam mais. Claro que é uma pequena mudança, mas senti que retomei o controle da minha vida. Detesto sentir que estou indo “deixa a vida me levar”. Sabe aquelas coisinhas que vão ficando pra trás e vc todo dia pensa: “um dia eu faço?”. Cansei desta lista interminável, que só suga energia e comecei a fazer.

E a sensação boa que ganho ao realizar estas pequenas tarefas tem me feito muito feliz. Então eu percebi que às vezes uma pequena atitude pode mudar toda a nossa vida. Conversando com um amigo, ele me disse que se você mudar um minuto do seu dia, isso causa um impacto muito grande. E eu percebi na prática. Mudei aquele minuto do despertar. Eu tinha o hábito de acordar e ficar no celular, vendo Facebook, Instagram, atualizando o whats. E eu percebi o quanto aquilo era prejudicial para mim.

Agora, o despertador toca e eu levanto. Só depois de alguns minutos, verdadeiramente acordada, pego o celular para o ver o whats. Dificilmente tem algo tão importante que não possa esperar uns minutinhos. E de quebra, desinstalei o instagram e o Face do celular. Meu trabalho começou a render mais, minha concentração aumentou… enfim, só benefícios. Eu já tinha escrito sobre isso neste post aqui, e que minha experiência de vida offline foi tão boa que decidi voltar a ela.

“Assim, sem comparações e julgamentos, podemos focar no que realmente importa: o nosso caminho”.

Descompasso

Às vezes fico ansiosa quando percebo que a minha vontade de fazer tudo não corresponde à minha atitude. Há um descompasso entre o que eu sinto e quero e o que realizo. Todos os dias eu penso: tenho que fazer o scrapbook da viagem. Mas nem começar eu comecei ainda. Talvez se eu começar, me motive. Mas, me conhecendo, ele vai ficar pela metade. Desta forma, estou tentando fazer uma coisa de cada vez e terminar antes de começar a outra. E isso tem sido um grande esforço para mim (rainha do começar tudo e terminar poucos).

E eu estou conseguindo terminar as coisas. Mas, não tudo que eu quero ainda. Isso por que imagino, penso e planejo mais rápido do que eu posso realizar. E não é por culpa minha. É por que não dá mesmo. Às vezes me surpreendo com o número de ideias que tenho por minuto. Mas, ao invés de entender que não é possível fazer tudo agora e relaxar, colocar prazos mais longos, eu tenho certeza de que se eu me esforçar mais eu consigo. Porém, isso é uma ilusão: não sou uma máquina (e mesmo máquinas precisam de descanso para não explodir).

Às vezes estou super disposta e empolgada; e tem dias que eu simplesmente preciso dormir. E assim, entre dias mega produtivos e outros nem tanto, busco o equilíbrio para resolver minha to-do list e realizar meus planos e sonhos.

 

Metas

Todo início de ano fazemos uma lista de resoluções de ano novo: escrevi sobre isso neste post aqui e neste outro aqui. Hoje é dia 17 de novembro. Falta pouco mais de 30 dias para acabar o período que nos propusemos para realizar nossas metas de ano novo de 2017. Mas será que já consegui cumprir as deste ano? Aliás, quais eram minhas metas mesmo?

Por que muitas vezes não conseguimos nossas metas? Muitas vezes falta clareza de como realizá-las. Por exemplo, quero economizar dinheiro para viajar: para fazer isso, preciso quebrar em uma meta palpável, tipo vou economizar R$200 reais por mês. Ou quero comprar menos: tenho que traduzir isso em “não vou comprar por 2 meses”, ou “vou gastar no máximo R$100 reais em compras por mês”.

E finalmente, a meta master de muita gente: vou emagrecer. É possível ter uma meta de peso por mês, ou até de aumentar a quantidade de exercícios. Acho que, na verdade, esta é a mais difícil, por que envolve uma grande mudança de vida e não só deixar de comer várias coisas,

Mas, faltando um mês e tanto para o fim do ano, o que eu ainda posso fazer este ano? Tem algo que ainda dá tempo de realizar? E destas que eu não cumpri e não dá mais tempo, posso mantê-las para o ano que vem ou já se desatualizaram? Agora é a hora de começar a planejar o próximo ano, se não, ele vai começar no de repente, e quando vermos, já passou de novo!

E ai, o que aprontaremos no próximo ano que já pode começar a ser planejado?

Especial

Sabe aquela perfume que você guarda para ocasiões especiais? Usei pra vir trabalhar hoje. Ou aquele sapato que eu nunca uso por que morro de ciúmes: fui a missa com ele neste fim de semana. Às vezes ficamos guardando umas coisas bobas para um dia especial. Mas por que não hoje?

Sempre achei meio besta aquele discurso de “hoje é um dia especial”, mas, no fim das contas, o dia especial é como qualquer outro dia. Por que ficar me privando de algo para um momento que talvez eu nunca decida ser o certo? Não posso ser feliz agora?

Às vezes estas pequenas coisas causam um impacto tão grande no nosso dia que acaba tornando-o especial, mesmo que tenha sido um dia que começou sem pretensões. E pensando nisso, estou usando roupas diferentes, me maquiando mais. Simplesmente por que isso me faz bem e me deixa feliz. Só o fato de prestar mais atenção em mim tem feito com que me sinta melhor. E o resultado que a autoestima tem na vida em geral pode nos surpreender. Nos torna mais seguros, mais decididos e prontos para realizar mais.

E ao invés de esperar que a vida me ofereça dias especiais, eu estou trabalhando para torná-los assim. Teve uma época que, sempre antes de dormir, eu agradecia por três coisas que tornaram aquele dia bom. E em todos os dias, por pior que tivessem sido, eu conseguia escolher estes momentos de gratidão. Às vezes coisas sem importância, como uma música que tocou no rádio, algo que comi. Em outros, algo maior, como ir bem em uma prova ou receber um elogio no trabalho.

Nesta mesma época estava em alta no Facebook o “100 Happy Things”. O desafio era, todos os dias, postar algo que tivesse te deixado feliz. Assim, isso fazia com que as pessoas percebessem que todos os dias acontece algo de bom em nossas vidas, e, às vezes, estamos tão focados no que aconteceu de ruim, que o bom passa despercebido. Afinal, a felicidade (ou a percepção dela) é um exercício.