Desafios

Faz uns dias, resolvi aprender a fazer crochê. Por quê crochê? Tenho visto uns bichinhos fazendo sucesso na internet. E eu pensei “eu gostaria de aprender a fazer estes bichos para dar de presente”. Isso por que acho que presentes feitos têm muito mais significado do que comprados. Descobri que o nome do tal do bicho é Amigurumi e que, obviamente, vai dar trabalho.Mas, já aprendi meu primeiro ponto de crochê e tô treinando por aí.

E o mais legal de tudo é que prender a fazer crochê me deu a sensação de que eu posso aprender a fazer qualquer coisa e que o céu é o limite para minha criatividade. E isso me deu uma sensação muito boa. Partiu costurar? Sim! Cozinhar? Claro! Bordar? Por quê não? E que quase tudo pode ser feito ao invés de comprado. Para os presentes de Natal, até eu me surpreendi com a minha ideia (não conto por que é surpresa! Quem sabe depois? =).

E sabe o que eu fiquei pensando? Sempre que vou dar um presente, escrevo um texto junto. Às vezes, o texto é mais importante do que o presente em si. Por que eu gosto de expressar como me sinto por meio de palavras (se comparado ao crochê, não é tão diferente, já que, cada ponto e ideia, ao final, tornam um trabalho único e especial). E, a partir de agora,  além do mundo das palavras, a princesa de allstar vai se aventurar em outras áreas <3

Listas

Eu estou muito ansiosa para viajar. Mas isso é bobo. Tem milhares de lugares no mundo para conhecer. E se prestarmos atenção, todos os destinos são interessantes por algum motivo: uns pela natureza, outros pela tecnologia. Às vezes, um passeio inesperado rende mais boas lembranças do que uma viagem que custou caro. E além de viajar, ainda tem todas as coisas que quero fazer: as séries que não assisti, os filmes recomendados, os livros para ler.

Mas por que tudo isso mesmo? Tem livros que não vou ler nunca, por que não me interessam, não despertam a minha curiosidade. Então por que este apego pelas coisas que NÃO fiz ou NÃO assisti? E se ao invés de cada vez que eu pensar: “um dia eu vou” e tornar uma cobrança, por que eu simplesmente não posso achar legal e pronto? Coloco no mesmo patamar ir à vinícola perto de casa e ir para Las Vegas. E são coisas totalmente diferentes. E eu nem gosto de vinho. Mas só por que alguém disse que é legal, ou convidou (que foi o caso), eu também quero.

Ai eu penso que não estou fazendo nada. E vou ao extremo de querer fazer tudo. E para quê? Todos os dias vivo experiências muito legais. Por que algumas valem mais do que outras? Claro que eu posso focar em cumprir todas estas listas (filmes, livros, viagens, passeios), ou eu posso acalmar e fazer as coisas quando der. Se um dia rolar, ótimo. Se não, provavelmente os lugares que visitei, os livros que li e os filmes a que assisti também valeram muito, mesmo sem estarem na lista. É a vida que acontece quando não planejamos, as lembranças que formamos sem querer. E são estes pequenos retalhos de vivências que formam o desenho da nossa vida.

Quilo de sal

Em uma palestra ouvi que um casal só se conhece bem o suficiente depois de comer um quilo de sal juntos. E eu fiquei pensando nisso nos últimos dias. Um ano de casados recém completos, eu e meu marido estamos terminando nosso primeiro quilo de sal desde que casamos. Isso significa que passamos muitos dias juntos, que cozinhamos juntos, que construímos experiências juntos. Eu percebo que o conheço bem mais do que conhecia há um ano atrás. Sei o que o irrita, o que o deixa feliz.

Reconheço seus humores e trejeitos. Conheço nossos ritmos de sono, sei dos seus interesses, e principalmente, aprendi que as pessoas só se conhecem depois de executar algumas tarefas juntas, ver como encaixar o jeito de cada uma e chegar a um novo estilo que sirva para os dois: nossos jeitos de organizar, faxinar, cozinhar, lavar roupas (inclua aqui qualquer atividade de rotina de uma casa) é diferente. Depois que se chega a este denominador comum, é que, verdadeiramente, se faz algo junto com o outro.

E não teria como não ser: fomos criados em cidades diferentes, com pais diferentes, com percepções de mundo diferentes. Se mesmo irmãos têm estilos diversos, quem dirá alguém de outra família. Claro que não o conheço totalmente, e talvez nem chegue a conhecer um dia, mas, após nosso primeiro quilo de sal, já nos conhecemos bem o suficiente para uma rotina harmoniosa e feliz, além de forte e coesa para os próximos quilos de sal de comeremos juntos.