Energia parada

Sempre que vejo alguma coisa, ela me traz um sentimento. Pode ser bom, ruim, pode trazer lembranças boas, alegrias, tristezas. Tudo tem sentimentos atrelados. Estes dias, conversando com uma amiga, ela falou que não guardou as barbies de infância dela para não deixar energia parada. E isso me fez pensar muito.

Há algum tempo li um livro sobre organização de uma japonesa chamada Marie Kondo. Além de ela falar também sobre energia parada, ela sugeria pegar os objetos na mão e observar o sentimento que eles causam. Eu fiz isso quando quis organizar minha biblioteca e realmente fez sentido. Enquanto estavam todos na estante, não consegui escolher alguns para doar. Mas, pegando cada um na mão, isso ficou bem mais fácil. E isso faz sentido com qualquer objeto.

Eu decidi que só ia guardar os livros de que realmente gostei muito ou que tenho vontade de emprestar para outros lerem (e olha que sou bem ciumenta com livros). Livros que me inspiram, com cujos personagens me identifico de alguma forma ou que marcaram um momento da minha vida. Estes têm lugar cativo na minha estante. Os outros, repasso, dou de presente e faço doação para bibliotecas. Lá, eles têm potencial de serem lidos novamente.

Passando pelo filme Toy Story, os brinquedos passam muitos anos guardados nos sótão depois que o Andy não brinca mais com eles. Na verdade, este é o maior medo deles: por que ir para aquele lugar representa que eles cairão no esquecimento e que não verão novamente a luz do sol. Ai, quando vai para a faculdade, Andy doa todos aqueles brinquedos para um jardim de infância, fazendo com que todos fiquem felizes novamente. Por que brinquedos foram feitos para brincar.

Quando guardamos roupas de forma nostálgica, de lembrança, mesmo que elas não nos sirvam mais. Isso é bem comum, principalmente, quando alguém morre. Mas, que tal doar (ou vender) para alguém que precisa e vai usar? E abrir espaço no guarda-roupa? Muita gente tem o armário cheio, mas nada para vestir: as coisas não servem, precisam de conserto, não combinam com seu estilo atual (mas estão lá, todas, na esperança de serem usadas novamente – igual aos brinquedos).

Mas, em contrapartida, tem aquelas coisas que nos trazem sentimentos bons: estas devem estar sempre a vista: tipo o vaso que comprei em uma viagem, um porta-retrato com um momento divertido e uma casa de passarinhos que comprei simplesmente por que achei linda. Estas pequenas coisas espalhadas fazem com que nosso dia fique mais alegre. Se faz tempo que você tem certas coisas, eu o convido para um novo olhar.  Às vezes, organizar e doar certas coisas nos causam leveza, tiram um peso. E liberam a energia para novas aventuras, experiências e por que não, bons sentimentos.

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