Planos

Eu tenho vontade de fazer várias coisas na vida ainda. Algumas sei que são mais viáveis, outras nem tanto. Mas, às vezes, eu penso em fazer mil coisas e, na hora de realizar, não parece tão legal. Por exemplo, eu quero pegar a faixa preta de judô. Mas sei que isso vai me exigir um esforço grande, horas de dedicação, treinos, etc. Ai eu penso que talvez não seja a prioridade do momento, acabo pensando “ah, ok, um dia eu faço isso” e passam vários anos.

A mesma coisa acontece quando penso em participar de provas de corrida, maratonas aquáticas, fazer uma pós graduação, participar de um congresso ou um curso. Ai vamos dizer que eu consegui vencer a inércia e estou lá, realizando esta coisa. Então eu percebo que a ideia de realizar aquela atividade é muito mais legal do que a realização dela em si. Por quê? Por que me tirou da zona de conforto. Pensar e idealizar é fácil, mas só “estando nesta carcaça para saber” que a realização não é fácil. Custa suor, dedicação, força, às vezes lágrimas e sangue.

E isso vale para qualquer coisa. Até posso achar que vai dar algum trabalho, mas só executando a tarefa em si para ter noção de como é. Às vezes, é mais fácil do que parece. Às vezes vai custar-me mais do que o previsto. Porém, posso dizer que, no final, o resultado é demais. Cada esforço vale a pena. E sempre teremos, além da realização de objetivo ou sonho cumprido, as histórias e lembranças para contar. E quem sabe esta coragem de vencer a inércia nos fortaleça, fazendo com que fique cada dia mais fácil correr atrás de nossos sonhos e planos.

Malvado favorito

Estes dias fomos assistir ao filme Meu malvado favorito III. Este filme é muito bonitinho e traz várias lições de amor interessantes. No primeiro filme, nosso vilão Gru leva uma vida voltada para o mal, juntamente com seus ajudantes um tanto atrapalhados (Minions, que roubaram tanto a cena que ganharam um filme só pra si).

Neste primeiro filme, para derrotar seu inimigo, ele adota três meninas de um orfanato da cidade. A mais velha, muito madura, a do meio, um tanto quanto espivetada e a menor, Agnes, coisa fofa e minha favorita. Ela é inocente, pura, e tem certeza de que vai ser feliz na nova casa, mesmo não sendo feita de gelatina nem tendo uma recepção calorosa por parte do novo pai.

Ao longo do filme, podemos ver o poder do amor e como ele transforma o relacionamento da nova família e aquece o coração do Gru. Ele, de vilão, solitário e mal-amado passa a ser um pai preocupado, carinhoso e que faz de tudo pelas filhas, pelo outro lado, as filhas aprendem a lidar com o jeito durão do pai e a amá-lo exatamente desde jeito, dando, inclusive, palpites para os planos malvados dele. Gru passa, inclusive, a tratar seus minions melhor.

Mas, eles, que estão sempre em busca do chefe mais malvado de todos, abandonam seu líder e partem em busca de alguém “pior”. Mas, como o amor sempre vence, tudo dá certo e eles continuam a ser uma família feliz e unida. Ao longo dos três filmes a tratativa de família está sempre presente: relacionamentos, inseguranças, separações familiares, rejeições.

Tudo isso nos ajuda a entender como cada personagem foi moldado e se tornou daquela forma. Obviamente, a ficção muitas vezes reproduz a realidade e traz um retrato de muitas famílias que, apesar de destruídas ou capengas, ainda podem ser salvas pelo amor.

Julgamentos

“Se a imaginação fervilha à volta de ti mesmo, cria situações ilusórias, composições de lugar que ordinariamente não encaixam no teu caminho, te distraem tolamente, te esfriam e te afastam da presença de Deus. – Vaidade…Se a imaginação é acerca dos outros, facilmente cais no defeito de julgar (quando não tens essa missão) e interpretas de modo rasteiro e pouco objectivo o seu comportamento. – Juízos temerários…Se a imaginação esvoaça sobre os teus próprios talentos e modos de dizer, ou sobre o clima de admiração que despertas nos outros, expões-te a perder a retidão de intenção, e a alimentar a soberba”. Este texto é do Livro “Sulco”, de São José Maria Escrivá e é minha leitura espiritual do momento.

Temos a tendência de julgar as pessoas por diversos motivos: por como se vestem, por como falam, por seus empregos, por sua aparência e cuidados com si. Por sua maquiagem e outras coisas rasas. Se simplesmente conseguíssemos nao julgar seria muito mais simples. Para fazer este exercício de não julgamento e comparação sobre a vida alheia, passei duas semanas sem entrar no Facebook e no Instagram. E minha vida melhorou muito. Fiquei mais focada, menos dispersa e mais serena. Minha ansiedade diminuiu muito. E todos aqueles pensamentos de cobrança também.

Sei que existem muitos lugares para conhecer ainda, mas sei que não preciso conhecer tudo no próximo final de semana. Sei que existem corpos malhados, histórias de mães super bem sucedidas e estas coisas. Mas eu não preciso me alimentar disso. Preciso me alimentar do que faz bem, do que contribui para o meu bem estar e para minha vida. E essa exposição toda estava me fazendo mal. Não que eu postasse muita coisa, mas eu via muita coisa. E não estava me fazendo bem. Todos os dias eu pensava nas coisas que eu “tinha” que fazer. E estou muito liberta disso tudo.

E as nossas vidas são, como o próprio nome já diz, nossas. Com as minhas escolhas vou desenhando a paisagem e construindo as rotas. Ninguém sabe o quanto eu batalhei para as minhas conquistas e eu também não sei como foi a trajetória de cada um para estar onde está hoje. Assim, não fazem sentido as comparações que costumamos fazer, podendo, inclusive, nos envenenarmos. Assim, sem comparações e julgamentos, podemos focar no que realmente importa: o nosso caminho.