Ilusões

Às vezes eu passo muito tempo nas redes sociais. E isso, na verdade, não é bom. Não só por empregar tempo e energia em algo que não é produtivo, e que pouco me acrescenta, mas, pela frustração. Há perfis e mais perfis, principalmente no instagram, que mostram a vida dos sonhos: em um, trocentas viagens ao redor do mundo para os mais diversos lugares (sempre lindos e mesmo que você já tenha estado lá, as fotos sempre mostram um ângulo que deixam tudo muito melhor e mais bonito). Em outro, corpos perfeitos, fotos sempre profissionais de barrigas chapadas, pernas torneadas, pratos saudáveis… e assim por diante. O lifestyle das redes sociais é muito injusto e exigente. Faz com que nos sintamos menos.

Esses perfis me fazem valorizar as viagens que não fiz,  o corpo que não tenho e tudo aquilo que eu “ainda tenho que fazer” ao invés de investir energia na minha própria vida, que, aliás, é maravilhosa e acima de todas as minhas expectativas. Posso não ter ido pra Indonésia, que parece ser um novo point da galera, mas só este ano já zanzei bastante por ai, seguindo meus sonhos e minhas possibilidades. Posso não ter o corpo mega malhado, mas hoje acordei cedo e fui nadar. Ontem, escolhi não tomar Coca-cola: minhas pequenas vitórias de vida saudável. Sinceramente, elas valem muito para mim, mesmo que não rendam uma curtida no Facebook.

Mas, eles são irreais. Como diz meu marido, aquela pessoa tem aquele corpo por que ela vive disso. Aquela pessoa do blog de viagens também. Ou você conhece alguém próximo que não seja assim? Todos temos nossos compromissos, trabalho, vida social, amigos, dias de preguiça…quando eu treinava loucamente para entrar no CFO, tive o corpo mais forte da vida: mas não comia nada fora da dieta, não saia com amigos e treinava em todo meu tempo livre: tempo que aguentei assim? Dois meses! Aliás, esta questão de curtidas também é perigosa: pode fazer com que valorizemos aquilo que os outros “gostam, curtem, reagem” e que não necessariamente é como nos sentimos – ou até mesmo pode fazer com que nos sintamos menos valorizados por causa da reação dos outros. Assim, é necessário que reflitamos sobre aquilo que é importante para nós mesmos, que valorizemos aquilo que nos faz feliz, estes pequenos (ou grandes) momentos que nos fazem sentir realizados. E que vivamos mais os momentos reais e menos os virtuais, afinal, a vida não é ideal, ela é real.

 

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