(im) produtividade

Detesto este sentimento de improdutividade. Um pouco é a minha mania de querer fazer tudo, abraçar o mundo. Um pouco é do humor do dia. Tem aqueles dias que parecem que não foram feitos pra trabalhar, que o ritmo em que você está não é o mesmo em que o mundo está. E tudo parece lento. Até existe a concentração, mas tudo tem que ser devagar, com calma. Em que cada vez que o telefone toca, além de levar um susto, penso “tomara que não seja pra mim”. Mas às vezes é. E não tem jeito. Tenho que me sacudir e sair do slow mood. Ai chego ao fim do expediente com a sensação de que não fiz nada, o que, na verdade, é um engano. Fiz sim, até bastante coisa: só não em um ritmo tão frenético quanto o normal.

Às vezes é bom desacelerar e perceber que a vida não precisa ser tão corrida. E às vezes é frustrante não ter o dia perfeito no trabalho. E na vida… Pois, claro, tenho uma ideia do que é o dia perfeito: levantar cedo, fazer alguma atividade física, organizar a casa, zerar as pendências, e assim por diante. Faço, basicamente, o que me proponho a fazer na minha rotina. Mas o mais legal da vida é ter dias diferentes: aquele dia em que durmo até mais tarde ou vou passear no comércio ou até, me permito ler um livro ao invés de ir correr. O que eu tenho que ter em mente, na verdade, é que a vida não é uma lista de tarefas a serem cumpridas. A vida é composta destas escolhas singulares que fazemos. São estas “fugas” do devo para o que eu quero. São as pequenas surpresas escondidas na próxima esquina. E, entre dias mega produtivos e os nem tanto, a vida se torna este mosaico de sentimentos, sensações e escolhas.

Trem-bala

Ouvi na rádio, há alguns dias e pela primeira vez, a música trem-bala, da Ana Vilela. Gostei de cara da música e achei a letra bastante profunda. E sempre algum trecho me marcava. Quando conheci a letra toda, fiquei admirada. Em geral compartilho só textos da minha autoria por aqui, mas, este vale a pena:

(Para ler ouvindo)

Não é sobre ter todas as pessoas do mundo pra si
É sobre saber que em algum lugar, alguém zela por ti
É sobre cantar e poder escutar mais do que a própria voz
É sobre dançar na chuva de vida que cai sobre nós

É saber se sentir infinito
Num universo tão vasto e bonito, é saber sonhar
Então fazer valer a pena
Cada verso daquele poema sobre acreditar

Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu
É sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu
É sobre ser abrigo e também ter morada em outros corações
E assim ter amigos contigo em todas as situações

A gente não pode ter tudo
Qual seria a graça do mundo se fosse assim?
Por isso eu prefiro sorrisos
E os presentes que a vida trouxe para perto de mim

Não é sobre tudo que o seu dinheiro é capaz de comprar
E sim sobre cada momento, sorriso a se compartilhar
Também não é sobre correr contra o tempo pra ter sempre mais
Porque quando menos se espera, a vida já ficou pra trás

Segura teu filho no colo
Sorria e abraça os teus pais enquanto estão aqui
Que a vida é trem bala, parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir

Fotos de casamento

Pegamos o álbum de casamento estes dias! Sentimos uma alegria muito grande revendo as fotos e lembrando do dia. Todos aqueles sorrisos, momentos, vivências. Reunir nossos amigos, contar histórias. No dia seguinte do casamento fizemos um “trash the dress”, o que exigiu um pouco de sacrifício de acordarmos cedo e irmos até a Praia da Armação. Mas tínhamos em mente que as fotos ficariam maravilhosas e valeria muito a pena, já que poderíamos dormir bastante em outras oportunidades.

Uma das coisas que temos em mente é que o casamento é para sempre; então poderemos ver e rever aqueles álbuns por muito tempo ainda. Fico pensando nas pessoas que se separam… deve ser muito triste olhar para as fotos e ver que aqueles planos acabaram, que sua vida não será mais com aquela pessoa, que todas aquelas boas intenções passaram; claro que estou falando dos casos de pessoas que se dão bem mas que terminam “por que o amor acabou” ou “por que não estão mais apaixonadas”.

Tenho algumas amigas que se separaram e me deixaram muito triste. Hoje as vejo com outras pessoas, aparentemente felizes. Mas imagino que a ausência da outra pessoa irá ficar para sempre. Você foi casado, conviveu muito próximo por algum tempo, teve planos, realizou sonhos…  podemos até jogar as fotos fora, mas tudo que vivemos é impossível de ser apagado. No final de semana mostramos para alguns amigos que foram ao casamento e pudemos relembrar aquele dia tão especial; e hoje, revendo junto com meu marido, sentimo-nos plenos e realizados. E nestes pouco mais de seis meses de casados não poderíamos estar mais felizes.

Desafios

Me empolguei, recentemente, em voltar a correr: passei um período com o joelho machucado e a preguiça falando alto. Então, na última semana, entrei numa empolgação master e consegui correr quase todos os dias. Isso foi bom por que, cada vez que eu ia, se tornava mais fácil; sentia o sangue pulsando e mesmo que estivesse mega frio, em breve eu estava quentinha e feliz. Então ontem, o tempo tava meio chuvoso. Quando deu um trégua eu fui. A meta era correr 6 voltas na praça. Lá pela quinta volta, começou a chover de novo. Ai me lembrei de todas as vezes que fomos correr no CFO, com chuva, com sol, com frio, com calor… com todas as situações adversas.

E eu comecei a refletir em todos os desafios e medos que tive que superar para chegar onde estou agora. Posso garantir que não foi fácil, mas que em todos os momentos eu lutei com garra. “Só estando nesta carcaça para saber” todas as vezes que dormi menos do que queria, que treinei mais do que eu queria, que comi o que eu deveria, que deixei de sair com amigos, que deixei de ficar com a minha família.

Lembro-me daquele período de preparação para o concurso do CFO. Todos os meus dias eram planejados com base nos estudos. Depois, com base nos treinos para o Teste de Aptidão Física. Tudo era extremamente regrado pois eu tinha uma meta, um sonho. E nenhum sacrifício é grande demais ou pesado demais para alcançarmos nossos sonhos. E eu tinha, que nem diz o Rocky Balboa, o ‘eye of tiger’. Aquela garra, aquela força, aquela certeza da vitória. Sem essa força interna, o desafio seria bem maior.

Entrar para os bombeiros exige sacrifícios. E não é por que me formei que o sacrifício acabou. A profissão continua exigindo prontidão, preparo físico, abrir mão de certos confortos. Mas eu amo muito tudo isso. E não tem nenhum outro lugar em que eu gostaria de estar. Abrir mão, ser desafiado, ter brilho nos olhos, isso só é parte de quem eu sou.

 

Marcas de infância

Sempre que lembramos da infância, tem alguns fatos que surgem prontamente em nossas mentes. Lembro-me muito dos treinos de judô de sábado à tarde (como eu gostava daquilo!), das brincadeiras na piscina da casa da minha amiguinha. Lembro-me também de subir em árvores, ficar pendurada nos brinquedos. Quando me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse eu dividia minhas respostas entre “Estilista” e “Ter uma fazenda e plantar abóbora para vender na feira”. Aos 4 e 5 anos saia com a nossa cachorrinha para “fazer aventura”, que consistia em andar por todos os terrenos baldios do condomínio.

A minha primeira Barbie, aos 4 anos, ganhei de um tio muito querido. Eu não tinha muitos brinquedos: a maioria era herdado dos meus irmãos. Tinha uma amiga que tinha vários brinquedos legais: ela tinha uma boneca cujo vestido tinha pecinhas plásticas que brilhavam. As peças eram coladas no vestido com velcro. Claro que tínhamos ideias criativas e jogávamos as pecinhas na piscina para achar depois e duvido que tenhamos achado todas. Eu tinha um quebra-cabeças que ganhei no meu aniversário de 6 anos. Ele tinha 120 peças e uma imagem do Aladdin com a Jasmine. Montei até decorar aquele quebra-cabeças. Também saia para andar de roller, mas nunca fui boa nisso e sempre voltava sem as tampas do joelho. Nada que envolva rodinhas me atrai muito, até hoje. Passamos um bom tempo sem tv em casa e meu programa de tv favorito era Castelo Rá-tim-bum. Mesmo que eu já tivesse assistido a todos os episódios, não me cansava de ver as reprises.

Sempre recordo com muito carinho dos campeonatos de judô, dos quais participei muito assiduamente até os 14 anos. Aquele clima de luta, diversão, medalhas, era demais. E em todos, tradicionalmente, tirava uma foto com meu professor. Ao longo dos anos foi possível acompanhar meu crescimento. Hoje, aos recém feitos 29, sempre penso na infância que eu tive e em como ela moldou quem eu sou hoje. Como as vivências diárias formam nossas impressões de mundo, desejos e sonhos. E como aquela pequena aventureira se tornou hoje uma oficial de bombeiro otimista. Não sei qual foi a fórmula, mas sei que estou mega satisfeita com o resultado.