Consumo consciente

Ontem li uma entrevista que traduziu bem o que vinha sentindo nos últimos dias. O texto “Você não precisa de roupas novas” me fez pensar. Quantas vezes abrimos o guarda-roupas e e temos a sensação de não ter nada para vestir?

A minha relação com moda e consumo de roupas vem desde a adolescência: todo o dinheiro que eu ganhava de mesada, Natal, aniversário… eu gastava em roupas. Na época eu gostava muito de roupas de marca. Já na faculdade, tinha uma amiga que estava sempre bem vestida e, quando ela fez um curso de consultoria de moda, pedi que ela fosse à minha casa me ajudar com novas combinações, que fossem além de all-star+calça jeans + camiseta/moletom.

Nesta tarde, extremamente produtiva, descobri o que me vestia bem, o que não vestia, quais eram as peças que faltavam para tornar o meu guarda-roupa versátil e novas combinações com as peças que eu já tinha. Depois disso, comecei a ter mais consciência do vestir: ia nas lojas, provava, provava, e só comprava o que realmente vestia bem. Parei de comprar tanto, pois fiquei mais criteriosa. Comecei a, de vez em quando, abrir todo o guarda-roupa e testar tudo, tentando combinações diferentes, vendo o que veste bem, o que não veste mais, o que precisa de conserto ou alguma reforma… E nestas brincadeiras, que são verdadeiras terapias, eu descubro looks novos e não preciso mais comprar roupas.

Neste meio tempo eu também fiz o curso de consultoria de modas e aprendi, efetivamente, como me vestir (e até vestir outras pessoas, o que faz com que eu distribua umas dicas por ai, de vez em quando). Claro que eu ainda compro roupas e sapatos. Mas agora, com menor frequência e sempre aproveitando as liquidações. Além disso, parei com a mania de roupas de marca e tenho feito ótimas compras em lojas mais baratas. Pois, independentemente do preço, só compro o que é de boa qualidade e veste realmente bem.

E este exercício de não consumo é extremamente válido. E acredito que só contribua para a elegância, o estilo, a noção de si próprio e a imagem que passamos para o mundo por meio do vestir.

 

Friends

Comecei a assistir com meu marido a série “Friends”. Sim, eu já tinha assistido alguns episódios aleatórios, quando passava na TV. Mas, desta vez, comecei do primeiro episódio e já estou lá pela metade da série. Eu consigo entender por que a série fez tanto sucesso. Primeiro, em algum momento você se identifica com algum dos personagens. Ou todos ao mesmo tempo. Ou de maneira variável, de acordo com a temporada; Às vezes eu estou mega consumista tipo a Rachel. Às vezes, maníaca por limpeza e organização como a Mônica. E (muitas vezes) sou tipo a Phoebe, que vive num mundo a parte.

Quem nunca teve momentos “goiabas” e nerds com o Ross, atire o primeiro livro de paleontologia. Sim, os nerds podem ser muito chatos. Por que eles viciam em uma coisa específica, tipo Videogames. Mas, eles tem bom coração e acabam sempre fazendo com que a gente aprenda algo que até então, desconhecíamos completamente a existência. E talvez passemos a gostar tanto daquilo que sejamos a nova dupla do nosso amigo nerd (acho que no fundo, é isso que eles querem).

Já o Chandler está tão acostumado a ter relacionamentos mal sucedidos que quando ele encontra um que dá certo, várias vezes ele tem recaídas e quer sair correndo. Todos nós temos traumas de amor e desamor que, se não tomarmos cuidado, podem prejudicar nossa vida amorosa para sempre.

E o Joey, que se tem em alta categoria do supra sumo dos atores, e que desenterra o “Dr. Dramorey” sempre que ele se apresenta. Quantas vezes nos apegamos aos nossos sonhos e somos otimistas em relação a quem somos e ao que queremos ser? Acho que, tirando este papel, ele só ganhou dinheiro nos três dias que trabalhou como garçom no restaurante em que a Mônica era chef.

Falando em Mônica, é muito fácil se identificar com ela. Primeiro, por que sempre tem uma “gordinha” dentro de nós pronta para atacar. E quem dirá na TPM… mas, ao mesmo tempo em que ela é controladora e perfeccionista, ela é empolgada, super confiante e altamente competitiva. Temos vários momentos assim na vida. E para quem passou por transformações de emagrecer bastante, acho que a personagem é a mais inspiradora.

A Rachel é mimada e consumista. Mas, para não ser injusta com ela, poucos teriam a coragem que ela teve de não casar com quem não queria, mudar de vida, não ceder às chantagens dos pais para voltar para casa e ir trabalhar numa cafeteria. Além disso, ela era referência de beleza da época. Aliás, ainda hoje, quase aos 50, ela é muito bonita! O mais legal são os looks que ela usava. Lembro deles no início da minha adolescência e agora, tendo estudado um pouco de moda, é divertido ver como algumas coisas entram na moda de novo e outras graças a Deus que não!

E finalmente a Phoebe. Ela vive num mundo a parte e seus comentários são sempre os melhores. O mais legal dela é que ela não se importa com o que os outros acham ou vão pensar a respeito dela. E por isso ela é tão autêntica. E mesmo que eu tente juntar todos as histórias de vida pregressa dela, eles não se encaixam. Ou por datas ou por características. Mas acho que este mistério todo é que a torna mais interessante.

O mais legal é que, mesmo sendo um grupo de amigos tão heterogêneo, eles se dão extremamente bem e se completam. E quem não tem um grupo de amigos assim?

Bem sucedido

Estes dias, conversando com uma amiga, discutíamos o que é ser bem sucedido. Quando somos mais novos, temos tipo uma linha do tempo em que vamos fazendo marcas e estipulando metas: “primeiro vou estudar em tal universidade, depois vou trabalhar em tal lugar, depois vou viajar para vários lugares, depois eu vou casar e ter a casa dos sonhos, e ter filhos”, e assim vai. E, preferencialmente, antes dos 30 anos! Mas ai, o que acontece quando as coisas não acontecem nesta ordem?

As pessoas se frustram e não se sentem bem sucedidas. Por quê? Por não ter seguido um modelo que o mundo aprova como correto? E se a faculdade que você fez foi uma perda de tempo e na verdade, você quer estudar outra coisa, ou nem estudar? Ou se o emprego dos sonhos se revelou algo que só traz cobranças e nenhuma satisfação pessoal? Só por que você pede demissão e vai fazer outra coisa (leia-se aqui qualquer coisa que te faça feliz, mesmo que seja estranho aos olhos do mundo?) como ter uma horta comunitária, criar ovelhas, mudar totalmente de carreira, isso quer dizer que você não é bem sucedido?

E quem disse que o mundo pode rotular quem é bem sucedido e quem não é? Às vezes aquela empresária “bem sucedida”, que trabalha 30h por dia, com viagens internacionais e milhares de compromissos gostaria de morar em um sítio no interior, e, de pé descalço, ter os filhos correndo soltos pela grama. E por que uma coisa “vale” mais aos olhos do mundo do que outra? Por que há tantas críticas para mulheres que abrem mão de suas carreiras para cuidar dos filhos? Quem disse que não é aquilo que vai fazer com que ela se sinta bem sucedida?

Uma outra amiga, que casou e teve filhos para depois se formar na faculdade. Por que ela optou por esta ordem e não por esperar terminar o curso? Por que, para ela, aquela seria a felicidade. Não há motivo para abrir mão dos nossos planos para tentar encaixá-los nos planos que o mundo, ou melhor, outras pessoas, dizem ser o melhor para nós mesmos. A nossa linha do tempo quem faz somos nós mesmos. E nós vamos desenhando-a aos poucos, tomando decisões com nossa maturidade e percepção de mundo. Pois, entre expectativas e cobranças, escolho a minha felicidade.

 

Home, sweet home

Todos queremos ter um cantinho para chamar de nosso, em que podemos arrumar as coisas do nosso jeito. Que seja um lugar montado aos poucos, com carinho e atenção. Que cada detalhe seja pensado e planejado. Que seja aquele lugar em que nos sintamos seguros, sem medo ou inseguranças. Um lugar que possamos fazer o que quisermos, sem julgamentos, cobranças. Um porto seguro, um lugar calmo e tranquilo, cuja trilha sonora varie de acordo com o humor dos moradores.

Um universo paralelo, protegido de todo o mal que há fora dele. Um local em que só de chegar, nos sintamos bem e mais tranquilos. Em que amigos são sempre bem vindos e que possamos ouvir a alegria e risadas ressoando pelas paredes. Que as janelas estejam sempre abertas para que o sol entre e que as cobertas sejam sempre macias e quentinhas. Que os porta-retratos tragam sempre boas lembranças e que a gaveta das guloseimas esteja sempre cheia. Que os colos sejam aconchegantes e o bom humor impere. Que a parceria seja a regra da casa. E que o amor prevaleça sempre. Por que, afinal, como diria nossa querida Dorothy, do Mágico de Oz, “There’s no place like home”.