Quilo de sal

Em uma palestra ouvi que um casal só se conhece bem o suficiente depois de comer um quilo de sal juntos. E eu fiquei pensando nisso nos últimos dias. Um ano de casados recém completos, eu e meu marido estamos terminando nosso primeiro quilo de sal desde que casamos. Isso significa que passamos muitos dias juntos, que cozinhamos juntos, que construímos experiências juntos. Eu percebo que o conheço bem mais do que conhecia há um ano atrás. Sei o que o irrita, o que o deixa feliz.

Reconheço seus humores e trejeitos. Conheço nossos ritmos de sono, sei dos seus interesses, e principalmente, aprendi que as pessoas só se conhecem depois de executar algumas tarefas juntas, ver como encaixar o jeito de cada uma e chegar a um novo estilo que sirva para os dois: nossos jeitos de organizar, faxinar, cozinhar, lavar roupas (inclua aqui qualquer atividade de rotina de uma casa) é diferente. Depois que se chega a este denominador comum, é que, verdadeiramente, se faz algo junto com o outro.

E não teria como não ser: fomos criados em cidades diferentes, com pais diferentes, com percepções de mundo diferentes. Se mesmo irmãos têm estilos diversos, quem dirá alguém de outra família. Claro que não o conheço totalmente, e talvez nem chegue a conhecer um dia, mas, após nosso primeiro quilo de sal, já nos conhecemos bem o suficiente para uma rotina harmoniosa e feliz, além de forte e coesa para os próximos quilos de sal de comeremos juntos.

Mudanças

Eu decidi que iria acordar cedo e com isso, parece que ganhei muitas horas a mais nesta semana. Fui pra academia, tive mais tempo (arrumei armários, lavamos cobertores…) Fiz aquelas coisas que há muito tempo queria fazer e não dava tempo. Parece que foi mais tranquilo, sem correria de manhã e sem stress para deixar tudo pronto.

Consequentemente fomos dormir mais cedo os dias renderam mais. Claro que é uma pequena mudança, mas senti que retomei o controle da minha vida. Detesto sentir que estou indo “deixa a vida me levar”. Sabe aquelas coisinhas que vão ficando pra trás e vc todo dia pensa: “um dia eu faço?”. Cansei desta lista interminável, que só suga energia e comecei a fazer.

E a sensação boa que ganho ao realizar estas pequenas tarefas tem me feito muito feliz. Então eu percebi que às vezes uma pequena atitude pode mudar toda a nossa vida. Conversando com um amigo, ele me disse que se você mudar um minuto do seu dia, isso causa um impacto muito grande. E eu percebi na prática. Mudei aquele minuto do despertar. Eu tinha o hábito de acordar e ficar no celular, vendo Facebook, Instagram, atualizando o whats. E eu percebi o quanto aquilo era prejudicial para mim.

Agora, o despertador toca e eu levanto. Só depois de alguns minutos, verdadeiramente acordada, pego o celular para o ver o whats. Dificilmente tem algo tão importante que não possa esperar uns minutinhos. E de quebra, desinstalei o instagram e o Face do celular. Meu trabalho começou a render mais, minha concentração aumentou… enfim, só benefícios. Eu já tinha escrito sobre isso neste post aqui, e que minha experiência de vida offline foi tão boa que decidi voltar a ela.

“Assim, sem comparações e julgamentos, podemos focar no que realmente importa: o nosso caminho”.

Descompasso

Às vezes fico ansiosa quando percebo que a minha vontade de fazer tudo não corresponde à minha atitude. Há um descompasso entre o que eu sinto e quero e o que realizo. Todos os dias eu penso: tenho que fazer o scrapbook da viagem. Mas nem começar eu comecei ainda. Talvez se eu começar, me motive. Mas, me conhecendo, ele vai ficar pela metade. Desta forma, estou tentando fazer uma coisa de cada vez e terminar antes de começar a outra. E isso tem sido um grande esforço para mim (rainha do começar tudo e terminar poucos).

E eu estou conseguindo terminar as coisas. Mas, não tudo que eu quero ainda. Isso por que imagino, penso e planejo mais rápido do que eu posso realizar. E não é por culpa minha. É por que não dá mesmo. Às vezes me surpreendo com o número de ideias que tenho por minuto. Mas, ao invés de entender que não é possível fazer tudo agora e relaxar, colocar prazos mais longos, eu tenho certeza de que se eu me esforçar mais eu consigo. Porém, isso é uma ilusão: não sou uma máquina (e mesmo máquinas precisam de descanso para não explodir).

Às vezes estou super disposta e empolgada; e tem dias que eu simplesmente preciso dormir. E assim, entre dias mega produtivos e outros nem tanto, busco o equilíbrio para resolver minha to-do list e realizar meus planos e sonhos.

 

Metas

Todo início de ano fazemos uma lista de resoluções de ano novo: escrevi sobre isso neste post aqui e neste outro aqui. Hoje é dia 17 de novembro. Falta pouco mais de 30 dias para acabar o período que nos propusemos para realizar nossas metas de ano novo de 2017. Mas será que já consegui cumprir as deste ano? Aliás, quais eram minhas metas mesmo?

Por que muitas vezes não conseguimos nossas metas? Muitas vezes falta clareza de como realizá-las. Por exemplo, quero economizar dinheiro para viajar: para fazer isso, preciso quebrar em uma meta palpável, tipo vou economizar R$200 reais por mês. Ou quero comprar menos: tenho que traduzir isso em “não vou comprar por 2 meses”, ou “vou gastar no máximo R$100 reais em compras por mês”.

E finalmente, a meta master de muita gente: vou emagrecer. É possível ter uma meta de peso por mês, ou até de aumentar a quantidade de exercícios. Acho que, na verdade, esta é a mais difícil, por que envolve uma grande mudança de vida e não só deixar de comer várias coisas,

Mas, faltando um mês e tanto para o fim do ano, o que eu ainda posso fazer este ano? Tem algo que ainda dá tempo de realizar? E destas que eu não cumpri e não dá mais tempo, posso mantê-las para o ano que vem ou já se desatualizaram? Agora é a hora de começar a planejar o próximo ano, se não, ele vai começar no de repente, e quando vermos, já passou de novo!

E ai, o que aprontaremos no próximo ano que já pode começar a ser planejado?

Especial

Sabe aquela perfume que você guarda para ocasiões especiais? Usei pra vir trabalhar hoje. Ou aquele sapato que eu nunca uso por que morro de ciúmes: fui a missa com ele neste fim de semana. Às vezes ficamos guardando umas coisas bobas para um dia especial. Mas por que não hoje?

Sempre achei meio besta aquele discurso de “hoje é um dia especial”, mas, no fim das contas, o dia especial é como qualquer outro dia. Por que ficar me privando de algo para um momento que talvez eu nunca decida ser o certo? Não posso ser feliz agora?

Às vezes estas pequenas coisas causam um impacto tão grande no nosso dia que acaba tornando-o especial, mesmo que tenha sido um dia que começou sem pretensões. E pensando nisso, estou usando roupas diferentes, me maquiando mais. Simplesmente por que isso me faz bem e me deixa feliz. Só o fato de prestar mais atenção em mim tem feito com que me sinta melhor. E o resultado que a autoestima tem na vida em geral pode nos surpreender. Nos torna mais seguros, mais decididos e prontos para realizar mais.

E ao invés de esperar que a vida me ofereça dias especiais, eu estou trabalhando para torná-los assim. Teve uma época que, sempre antes de dormir, eu agradecia por três coisas que tornaram aquele dia bom. E em todos os dias, por pior que tivessem sido, eu conseguia escolher estes momentos de gratidão. Às vezes coisas sem importância, como uma música que tocou no rádio, algo que comi. Em outros, algo maior, como ir bem em uma prova ou receber um elogio no trabalho.

Nesta mesma época estava em alta no Facebook o “100 Happy Things”. O desafio era, todos os dias, postar algo que tivesse te deixado feliz. Assim, isso fazia com que as pessoas percebessem que todos os dias acontece algo de bom em nossas vidas, e, às vezes, estamos tão focados no que aconteceu de ruim, que o bom passa despercebido. Afinal, a felicidade (ou a percepção dela) é um exercício.

Energia parada

Sempre que vejo alguma coisa, ela me traz um sentimento. Pode ser bom, ruim, pode trazer lembranças boas, alegrias, tristezas. Tudo tem sentimentos atrelados. Estes dias, conversando com uma amiga, ela falou que não guardou as barbies de infância dela para não deixar energia parada. E isso me fez pensar muito.

Há algum tempo li um livro sobre organização de uma japonesa chamada Marie Kondo. Além de ela falar também sobre energia parada, ela sugeria pegar os objetos na mão e observar o sentimento que eles causam. Eu fiz isso quando quis organizar minha biblioteca e realmente fez sentido. Enquanto estavam todos na estante, não consegui escolher alguns para doar. Mas, pegando cada um na mão, isso ficou bem mais fácil. E isso faz sentido com qualquer objeto.

Eu decidi que só ia guardar os livros de que realmente gostei muito ou que tenho vontade de emprestar para outros lerem (e olha que sou bem ciumenta com livros). Livros que me inspiram, com cujos personagens me identifico de alguma forma ou que marcaram um momento da minha vida. Estes têm lugar cativo na minha estante. Os outros, repasso, dou de presente e faço doação para bibliotecas. Lá, eles têm potencial de serem lidos novamente.

Passando pelo filme Toy Story, os brinquedos passam muitos anos guardados nos sótão depois que o Andy não brinca mais com eles. Na verdade, este é o maior medo deles: por que ir para aquele lugar representa que eles cairão no esquecimento e que não verão novamente a luz do sol. Ai, quando vai para a faculdade, Andy doa todos aqueles brinquedos para um jardim de infância, fazendo com que todos fiquem felizes novamente. Por que brinquedos foram feitos para brincar.

Quando guardamos roupas de forma nostálgica, de lembrança, mesmo que elas não nos sirvam mais. Isso é bem comum, principalmente, quando alguém morre. Mas, que tal doar (ou vender) para alguém que precisa e vai usar? E abrir espaço no guarda-roupa? Muita gente tem o armário cheio, mas nada para vestir: as coisas não servem, precisam de conserto, não combinam com seu estilo atual (mas estão lá, todas, na esperança de serem usadas novamente – igual aos brinquedos).

Mas, em contrapartida, tem aquelas coisas que nos trazem sentimentos bons: estas devem estar sempre a vista: tipo o vaso que comprei em uma viagem, um porta-retrato com um momento divertido e uma casa de passarinhos que comprei simplesmente por que achei linda. Estas pequenas coisas espalhadas fazem com que nosso dia fique mais alegre. Se faz tempo que você tem certas coisas, eu o convido para um novo olhar.  Às vezes, organizar e doar certas coisas nos causam leveza, tiram um peso. E liberam a energia para novas aventuras, experiências e por que não, bons sentimentos.

Faixa preta

Sempre tive a vontade de voltar para o judô e pegar a faixa preta. Mas, pesquisando e estudando como fazer isso, vi que não é exatamente fácil (e por que seria? Afinal de contas é a faixa preta de uma arte marcial). Mas, nestas minhas pesquisas, encontrei um texto que me fez refletir muito:

“Treinar duro, ser humilde, não ser ostentativo, não reclamar o tempo todo, fazer o seu melhor em tudo que se comprometer em sua vida. Isto é o que significa ser um faixa preta. Faixas pretas são geralmente pessoas normais que se esforçam mais e não desistem. Faixa preta pode ser conseguida apesar de qualquer fraqueza que você possa ter”

Indo além do Judô, esta colocação pode ser aplicada para todas as áreas da vida. “São geralmente pessoas normais que se esforçam mais e não desistem”. Quantas vezes só conseguimos conquistar um objetivo se nos dedicarmos muito e não desistirmos no meio do caminho?

“Não reclamar o tempo todo”: várias vezes vemos pessoas desmotivadas, que só reclamam e não buscam alternativas ou soluções para as situações/problemas que estão vivendo. “Fazer o seu melhor em tudo que se comprometer em sua vida”: muitas vezes não oferecemos nosso melhor para o mundo nem nos comprometemos com aquilo que fazemos. Às vezes temos planos de mudar de emprego, de cidade… mas, enquanto isso não acontece, não podemos nos dedicar e fazer nosso melhor? Por que esperar uma próxima oportunidade de fazer melhor?

Desta forma, as habilidades esperadas de um faixa preta podem ser aplicadas para qualquer pessoa, em qualquer área. Tanto isso é verdade que às vezes usamos a expressão “Fulano é faixa preta em Marketing” ou “Fulano é faixa preta em vendas”. Quer dizer que ele tem um destaque em relação aos demais. E talvez seja exatamente por isso que ainda não desisti desta ideia de ser faixa preta.

Inspirações

Há alguns dias comecei a escrever na minha agenda do trabalho frases motivadoras. Pode parecer bobo, mas, com isso, sempre paro, nem que seja por alguns segundos, para pensar a respeito daquilo. Em momentos de cansaço, são um novo ânimo. Em momentos de empolgação, me deixam mais alegres. Uma delas, em particular, me marcou bastante: “O melhor ainda está por vir”.

Às vezes olho para trás e percebo o tanto que já evolui, já cresci, já realizei. Há alguns anos atrás, a minha vida de hoje era tudo que eu sempre quis. Mas ai me pergunto: qual o melhor que ainda está por vir? Filhos? Um casamento construído e feliz ao longo dos anos? Viagens? Daqui a alguns anos, olhar para trás e ver os resultados daquilo que eu ainda vou conquistar? Ou, no fim, tudo isso junto?

Compartilho aqui algumas para inspirar o dia:

“Não vim até aqui para desistir agora”

“Get up early and be rewarded”

“Implemente aquilo que você acredita”

“Trabalho de formiguinha ad eternum”

“Comece onde está, use o que tem e faça o que pode”

“Confort zone is your cage”

“O que eu ainda posso realizar até o fim do ano?”

“Faça o que a concorrência têm preguiça de fazer”

“Não procrastine”

“Acredite em si mesma”

Instatisfação

Ficar na zona de conforto muito tempo não faz bem para ninguém, mas, outra coisa é aquele pessoal que está sempre buscando o que não tem. Que acha que a vida poderia ser melhor do que é, mas também não sabe como realizar isso.

É ter uma ansiedade, uma angústia geral sem causa e por nada. É só uma impressão de que as coisas poderiam ser diferentes, de não querer continuar do jeito que está. Mas também, não saber o que quer mudar: se aparecer um gênio da lâmpada perguntando o que deseja ser mudado, não vai saber responder.

Muitas vezes não damos valor para o que temos e ficamos nos iludindo, como disse neste post aqui com a vida dos outros e que, muitas vezes, o lifestyle das redes sociais é muito injusto e exigente, e faz com que nos sintamos menos. Esses perfis me fazem valorizar as viagens que não fiz, o corpo que não tenho e tudo aquilo que eu “ainda tenho que fazer” ao invés de investir energia na minha própria vida, que, aliás, é maravilhosa e acima de todas as minhas expectativas.

Assim, quando brotar esta insatisfação geral com nada específico, podemos tentar perceber o quê, de fato, nos angustia. Nunca é “Tudo”. Sempre há uma resposta. Às vezes só precisamos prestar atenção em nós mesmos, e, se for o caso, tomar uma atitude, como escrevi neste outro post aqui.

Ação

Uma vez assisti a uma palestra cujo título era “Vai lá e faz”. Sabe quando ficamos tempos planejando, pensando, analisando e não saímos do lugar? Um dia eu vou fazer, um dia eu vou viajar.. um dia… e este dia nunca chega. Depois daquela palestra eu resolvi tomar algumas atitudes a respeito de todas aquelas ideias que eu tinha e nunca se concretizavam. Isso já faz alguns anos, mas aquela palestra me marcou muito. Então, ontem, resolvi decidir isso de novo. Quero viajar: Vai lá e faz. Quero cortar o cabelo: vai lá e faz. Quero ser mais produtivo, estudar mais, ler mais livros. Se eu quero, preciso tomar uma atitude a respeito disso, se não, irão se passar dias, meses e anos até que isso, de fato aconteça. Por exemplo, há anos escuto uma pessoa dizendo que quer viajar para a Alemanha, mas, não toma atitude nenhuma pra isso: não escolhe uma data, não vê um roteiro, não compra passagem. E assim os anos passam e os planos e sonhos não são realizados.
Mas, para que isso dê certo, é necessário sabermos quais são os nossos sonhos e aonde queremos chegar, senão, ficaremos igual a Alice na conversa com o gato:
-O senhor poderia me dizer, por favor, qual o caminho que devo tomar para sair daqui?
-Isso depende muito de para onde você quer ir, respondeu o Gato.
-Não me importo muito para onde, retrucou Alice.
-Então não importa o caminho que você escolha”, disse o Gato.
-Contanto que dê em algum lugar, Alice completou.
-Oh, você pode ter certeza que vai chegar a algum lugar se você caminhar bastante, disse o Gato.
(Alice no país das maravilhas, Lewis Carrol)